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Edição Estampa de 1973
Bela obra, pungente e apaixonante, escrita em português ressuscitado e natural, como poucos hoje sabem escrever. Descida, pois, subterrânea, exacta e onírica, sonho sabendo que é sonho, o que pesquisa também o real da almofada sobre a qual é sonhado. E desse modo lemos a infância, não só do ex-futuro Virgílio Martinho, mas de todas as crianças que descobrem o Eros, a melancolia, a crueldade, a alegria, o problema do mal, o medo, a revolta, a culpabilidade, a morte, o destino com pergunta, o trabalho, a família, a sociedade. E ainda a exaltação, o primeiro cansaço.
Jorge Listopad [sobre Relógio de Cuco, 1974]
O singular percurso literário de Virgílio Martinho ficou marcado pela relação próxima que teve com autores que frequentaram nas décadas de 50 e 60 do século XX as várias tertúlias de cafés lisboetas, com destaque para a do Café Gelo, próxima do “movimento surrealista” (Alexandre O’Neill, António José Forte, António Maria Lisboa, Cruzeiro Seixas, Herberto Helder, Mário-Henrique Leiria, entre outros).
Virgílio Martinho corporizou uma “liberdade livre”. Resistiu, com uma bonomia desconcertante, a modas, escolas, zangas e movimentos (surrealismo, fantástico, neo-realismo, realismo poético, etc.). Quem conviveu com ele, lembrar-se-á sempre do seu riso casquinado, cerveja numa mão e cigarro noutra.