Sê o primeiro a adicionar este livro aos favoritos!
Edição de 2016 da Fundação de Serralves
Catálogo bilingue portuguêsi/inglês com imagens de todas as obras da primeira grande exposição dedicada à obra de Silvestre Pestana, com ensaios inéditos de Verónica Metello, Adam Kleinman e António Preto, bem como uma conversa entre João Ribas, curador da mostra, Silvestre Pestana e o artista Mauro Cerqueira.
Profusamente ilustrado com obras que incluem desenhos, fotografias, “poemas para computador, vídeo, esculturas e documentação vária, a primeira publicação exaustiva da obra deste artista que é uma das figuras mais radicais e menos conhecidas da arte contemporânea portuguesa.
Poeta, artista plástico e performer, Pestana criou, desde os finais dos anos 1960, uma obra singular numa diversidade de disciplinas. Esta primeira grande exposição do seu trabalho reuniu mais de 100 obras raramente vistas, além de documentação e materiais de arquivo, sublinhando o uso pioneiro do desenho, da colagem, da fotografia, da escultura, da instalação, do vídeo e da performance para confrontar a relação entre sociedade, arte e tecnologia.
Emergindo de um grupo de poetas experimentais dos anos 1960, Pestana aliou as artes visuais à poesia como modo de resistir à censura nos primeiros desenhos, colagens e esculturas. Entre 1969 e 1974, quando era um exilado político na Suécia, criou intervenções públicas sob a forma de jardins e ações performativas que sugeriam as frágeis condições ecológicas e sociais da vida contemporânea. Regressado a Portugal após a Revolução de 1974, Pestana desenvolveu, utilizando luz, linguagem e formas visuais, uma gramática visual única que concebe o corpo humano como um circuito social, ideológico e tecnológico. As ações politizadas, colagens e fotografias dos anos 1970 e 1980 usam o seu corpo para ativar códigos linguísticos e não-linguísticos, ao mesmo tempo que se expande a poesia para uma prática espacial e coreográfica.
As polémicas performances do artista dos anos 1970 e 1980 — documentadas em algumas imagens remanescentes — abordavam de forma presciente o modo como as tecnologias da terceira revolução industrial podiam suscitar tanto horror como fascínio, oferecendo formas tanto de entretenimento como de controlo. A biométrica, a militarização e a expansão do humano numa vasta rede de informação marcam a sua obra de fotografia, vídeo e instalação nos anos 1980. Usando a imagem em movimento como instrumento para a ação performativa e poética, Pestana tornou-se uma das figuras pioneiras da arte vídeo em Portugal. Desde o primeiro momento um utilizador das tecnologias mais recentes, nas últimas décadas tem recorrido à informática, aos jogos de computador e aos drones para construir novas expressões de resistência artística, dando continuidade ao seu compromisso de há décadas com os vários sistemas políticos e tecnológicos que permeiam a vida contemporânea.