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Edição Cotovia de 2004
Tradução e prefácio de Clara Rowland
A imagem de Alda Merini que aqui se apresenta não é a mesma que se criou em Itália desde o início dos anos noventa e que se encontra, hoje, entrando numa livraria italiana e observando a forma como o seu nome aparece em mostruários e escaparates. Também não se trata do retrato que dela fizeram os que a conheceram na adolescência.
A Alda Merini que aqui se apresenta reside unicamente neste território indefinido que vai ganhando forma ao longo dos quarenta poemas de A Terra Santa (1984), palco de projecções e de sobreposições, condensação máxima das várias metáforas sobrepostas à palavra manicómio, que é também o teatro de um mundo menor. Trata-se de uma terra de fronteira entre uma força poética inata e inegável e uma vivência do limite que irá atribuir à poesia uma condição extrema de desespero.
Mas o estabelecimento desta distinção está marcado pela mesma infinita possibilidade de inversão que caracteriza a polarização do espaço do manicómio entre um dentro e um fora, entre delírio e lucidez. Escrever hoje, de fora (e de longe), sobre Alda Merini partir deste território suspenso é também tentar manter a ambiguidade constitutiva dessa relação entre poesia e vida, entre poesia e doença, que só aqui se manifesta num equilíbrio tenso e instável.