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Edição A Bela e o Monstro de 2014, fac-simile da 1ª edição de 1965
Editada na coleção Teatro Minotauro, com tiragem de 3 mil exemplares, foi proibida em 1965, mandada apreender e a maior parte destruída pela PIDE. A peça inspira-se num conto de Natal de outro «marginal» (Luiz Pacheco), onde Jesus sai de casa aos 12 anos para discutir com os Doutores e apelar à «ação direta». A Autoridade entra em cena para prender os «conspiradores»: quer levar o Menino para uma casa de correção e os Doutores para a prisão.
Parecer do Capitão José Brandão Pereira de Mello, de 15 de março de 1965:
«Esta obrinha de um dos próceres do surrealismo português parece-me absolutamente inaceitável, isto é: francamente censurável (digna da mais severa censura) não só pela irreverência, em matéria religiosa ou de fé, como pela chocante intromissão satírico-política no tema filosófico-moral que o A. se propôs. A fala de Jesus (págs. 34 a 53) é absolutamente definidora do espírito achincalhante da obrinha, que, por isso, bastantemente por isso, me parece de proibir».
Toda a irreverência de uma posição perante o mundo, comum a Mário Cesariny de Vasconcelos e a esse incompreendido Surrealismo literário português — se expressa nesta obra deliciosa, inspirada no encontro do Menino Jesus com os Doutores.
O livro de Mário Cesariny que esteve para ser destruído pela PIDE. Estávamos em 1965, em plena ditadura salazarista. Mário Cesariny de Vasconcelos escrever Um Auto Para Jerusalém, a sua única peça de teatro. «Não posso dizer que tenha sido uma grande vítima do Salazar, não fui, mas não foi nada agradável, nada», afirmou então à TSF Cesariny. Bastante contido, se tivermos em conta as apresentações regulares a que esteve obrigado, acusações de vagabundagem e perseguições pela sua homossexualidade.