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Edição Vala Comum de 1993
Um Buraco na Boca (1971) é um romance experimental de António Aragão, poeta e artista madeirense que foi uma das vozes mais radicais da literatura portuguesa do século XX.
Este não é um romance de enredo e o que Aragão constrói é antes uma vida em destroços, fragmentos de tempo e memória que surgem sem ordem obrigatória, sem a ilusão de que a experiência humana cabe num arco narrativo limpo, num que tom surpreende quem conhece o resto da obra: ali onde Aragão costuma ser cáustico, aqui predomina algo mais fundo, num tom marcado pela perda e pela ausência.
A linguagem é o verdadeiro campo de batalha. A pontuação é subvertida, as frases reinventadas na sua estrutura, a própria página tratada como espaço plástico e uma vida a emergir aos pedaços, memórias fora de sítio, tempos que não se encaixam, uma voz que não se deixa fixar.