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Edição Hiena de 1992
Tradução de Luís Matos da Costa
Esta é porventura a obra onde o tema essencial da obra de Henri Michaux se manifesta com maior plenitude: a rejeição da realidade do quotidiano e o anseio por algo mais.
Este algo mais é frequentemente apresentado sob a forma de situações imaginárias que testemunham a constante necessidade de invenção do poeta. Por vezes com as nuances aparentemente ligeiras do humor, outras vezes com as de uma angústia existencial que o humor já não consegue ocultar.
Sempre, é certo, a partir de um mundo interior distante, daqueles confins do subconsciente que Michaux nunca se cansa de explorar.
Através das aventuras, ora divertidas, ora amargas, em que é o herói, Plume personifica um homem numa situação difícil, singularmente difícil, sempre maltratado e mal recebido por não se adequar às expectativas sociais. É o bode expiatório nato, aquele que, em todas as circunstâncias, não seguiu o fluxo e se recusa a segui-lo. Um mito altamente representativo de uma época em que as normas sociais eram particularmente restritivas, o que lhe confere a sua importância.