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Edição &etc de 2001
O problema é o seguinte: Apresentação do Rosto é um livro renegado ou, se preferirmos, uma obra que deixou de fazer parte da autobibliografia de Herberto Helder. O processo de renegação (e de parcial metamorfose) esteve longe de ser linear, como adiante se verá.
De qualquer modo, e independentemente das considerações estéticas que se possam fazer, insurgem-se questões éticas incontornáveis (que procurarei abordar na primeira parte deste ensaio). Estamos, por assim dizer, no cenário de um crime iminente em que o revólver (simultaneamente apontado ao autor e ao leitor) se chama escrita. E talvez não cheguem, para uma ilibação, as “liberdades” que H.H. ferozmente aconselha àqueles que o lêem.
O crítico, esse, é aqui apenas um leitor um pouco mais vocacionado para o homicídio. Réu, portanto, de um processo em que não há juiz e em que cada leitor está condenado a desconhecer com paixão as balas do revólver. A poesia, como bem percebeu Platão, é uma arte perigosa.