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Edição Bial de 2017
Doris von Drathen, conversadora activa com a obra de Chafes, que para este volume escreve o texto “A falência do tacto”; uma reintrodução à obra sobre a qual já pensou e escreveu muitas vezes, um regresso a vários sítios onde já tinha estado antes na companhia do artista
O texto de Doris von Drathen é apoiado num reconhecimento íntimo e filosófico das instâncias do pensamento e do fazer particulares a Rui Chafes; mas por isso mesmo, é um texto que demonstra uma escala de proximidades e afastamentos que são o estofo da prática do artista e que o colocam numa posição errática, por uma inadequação paradoxal: tentar perceber e explicar a obra de Chafes é ao mesmo tempo perceber e admitir que esta se funda num presentismo radical que procura que a escultura“seja em si o acontecimento e não apenas a sua manifestação.”
É precisamente por reconhecer esta instância geradora que Doris von Drathen acerta plenamente no formato interpretativo que utiliza para perscrutar a obra de Chafes, que anda entre o poético e o filosófico , com uma clara ancoragem no idealismo alemão, mas acima de tudo numa admissão do espectro teórico do idealismo para pensar uma obra que é resultado de um processo íntimo, procedente de um cruzamento entre o que podemos chamar de filosofia sensorial e um certo realismo empírico.
von Drathen, mais do que explicar a obra inexplicável de Chafes, dá-nos antes pistas para a observância dos processos heurísticos que a fazem ser, e das ligações que a permitem ser para, ou como a própria coloca: “..estamos habituados a pensar em ligações, a estabelecer relações causais entre os nossos atos e acontecimentos. No trabalho de Rui Chafes podemos observar ambas as situações: por vezes, as relações, as ligações e pontos de ancoragem são mostrados, outras vezes encontramos eventos escultóricos completamente singulares.