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Cerromaior, publicado em 1943 por Manuel da Fonseca, é um romance do neorrealismo português que retrata a opressão social e a tomada de consciência de um jovem numa vila alentejana.
Do romance de Manuel da Fonseca sobrelevam personagens que são marcos incontornáveis da nossa melhor novelística do pós-guerra civil de Espanha: o senhor de Alba Grande e sua usura, Doninha, dobrado pela angústia da miséria e da doença até à loucura, pulhas, pulhas! ; Zé da Água, que o autor transportará para o seu poema Mataram a Tuna!; Adriano a tomar consciência da sua condição, a solidarizar-se com o campo social a que, por origem, não pertence, na sua ambivalência afectiva e ideológica, a saber da violência de que os seus são capazes, obreiros amorais da opressão, sabendo-se igual aos oprimidos, dado que o pai morreu carregado de dívidas e ele não passa de um ex-terratenente, daí a sua luta com a Guarda, permitindo a fuga do ceifeiro Toino Revel, vítima da prepotência de seu primo Carlos Runa; o Bolota, Aninhas a perder-se na taberna do Brissos; a dignidade dos ceifeiros de Fonte Velha a quererem libertar-se da sua servidão.
Como em toda a literatura saída dos autores da 1.ª geração neo-realista, enfrentando o estupor da repressão, persiste o sentimento de que os dias limpos, largos e justos chegarão, e que uma nova ordem política e social é possível – constante paradigmática do discurso realista.
Revista e prefaciada pelo autor
Livro em bom estado com assinatura de posse
Sobrecapa aceitável
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