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No dia seguinte ninguém morreu. Assim começa esta obra de Saramago, que apresenta um contexto um tanto distópico em que, dentro do território de um dado país, ninguém morre mais.
Apesar da fatalidade, a morte também tem os seus caprichos.
Cansada de ser detestada pela humanidade, a ossuda resolve suspender as suas atividades.
De repente, num certo país fabuloso, as pessoas simplesmente param de morrer. E o que no início provoca um verdadeiro clamor patriótico logo se revela um grave problema.
Idosos e doentes agonizam nos seus leitos sem poder "passar desta para melhor". Os empresários do serviço funerário vêem-se "brutalmente desprovidos da sua matéria-prima". Hospitais e asilos geriátricos enfrentam uma superlotação crónica, que não para de aumentar. O negócio das companhias de seguros entra em crise. O primeiro-ministro não sabe o que fazer, enquanto o cardeal se desconsola, porque "sem morte não há ressurreição, e sem ressurreição não há igreja".
Um por um, ficam expostos os vínculos que ligam o Estado, as religiões e o quotidiano à mortalidade comum de todos os cidadãos. Mas, na sua intermitência, a morte pode a qualquer momento retomar os afazeres de sempre. Então, o que vai ser da nação já habituada ao caos da vida eterna?
Ao fim e ao cabo, a própria morte é o personagem principal desta "ainda que certa, inverídica história sobre as intermitências da morte". É o que basta para Saramago, misturando o bom humor e a amargura, tratar da vida e da condição humana. (Janela Literária)
Livro em bom estado geral, sobrecapa em razoável estado
Com assinatura de posse
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