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Justine ou Os Infortúnios da Virtude (1791) é o romance mais famoso do Marquês de Sade. A obra funciona como uma tese filosófica sombria onde o autor tenta provar que, no mundo real, a virtude é sempre punida e o vício é recompensado.
A história começa pouco antes da Revolução Francesa. Duas irmãs burguesas, Justine e Juliette, ficam órfãs e completamente desamparadas após a morte dos pais e a perda da fortuna familiar. Elas seguem caminhos opostos para sobreviver: Juliette escolhe a libertinagem, o vício e a prostituição. Graças a isso, prospera, torna-se rica, influente e feliz. Justine recusa-se a corromper-se, apegando-se firmemente aos valores cristãos, à moral e à pureza.
O livro acompanha a jornada de Justine (que adota o nome de Thérèse) dos 12 aos 26 anos. Cada capítulo repete uma estrutura semelhante de sofrimento. Justine tenta fazer o bem ou manter-se inocente, mas acaba nas mãos de diferentes opressores que representam os pilares da sociedade da época: monges e padres sádicos; nobres ricos; comerciantes, juízes e ladrões.
O livro não é para corações sensíveis. Combina descrições gráficas de depravação com extensos diálogos filosóficos niilistas e materialistas. Ler a obra exige abstrair-se do horror para compreender a tese radical de que a natureza humana é inerentemente egoísta e violenta.
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