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Um leitor que nada ouviu falar sobre a obra Lolita pode, lendo essa sentença, comover-se e preparar-se para a leitura de uma história de amor. E digo sentença porque não se trata de um romance, mas da história de um crime. O livro Lolita, de Vladmir Nabokov, foi publicado pela primeira vez em 1955, e provocou um verdadeiro escândalo na época, sendo proibido e apreendido em diversos países, como Inglaterra e França. A história de “amor” entre Lolita e Humbert Humbert é contada por ele (Humbert) de forma poética, enquanto se prepara para o seu julgamento final, e tem a tendência de chocar e nausear quem se arrisca a encarar uma realidade tão marcante nos dias de hoje. Trata-se não de uma história de amor, mas de abuso sexual, psicológico, de chantagens e de cárcere cometidos por um homem de 40 anos contra uma criança de 12 anos. (Duras Letras).
Embora muitos na altura da publicação (1955) o tenham rotulado incorretamente como mera pornografia, a crítica moderna encara-o como uma tragédia absoluta sobre a destruição da infância e uma sátira mordaz ao materialismo da sociedade americana da época.
O verdadeiro horror do livro reside em ler nas entrelinhas da prosa vaidosa de Humbert para perceber o sofrimento, o trauma e o isolamento real de Dolores, cuja voz é constantemente silenciada pelo narrador.
A obra teve um impacto cultural tão vasto que o nome "Lolita" entrou para o léxico popular de forma distorcida, sendo frequentemente usado para descrever uma jovem sedutora. No entanto, os críticos literários sublinham que esta interpretação popular inverte o sentido do livro: no texto de Nabokov, Dolores nunca é a sedutora, mas sim a vítima de um predador obsessivo.
Biblioteca Visão nº 23
Livro de capa dura, em muito bom estado
Portes Grátis para Portugal*
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