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O livro narra-nos o percurso de vida de um homem que, em plena ditadura fascista, decide substituir a pintura pela escrita; H. era um pintor medíocre (ou, pelo menos, banal) que, desiludido com a sua arte começa a escrever um livro. No entanto, ele não consegue separar o livro da sua própria vida. É todo o drama da relação (ou contradição?) da vida com arte que vem ao de cima.
No entanto, subsiste na mente do autor um conceito de arte que não passa de uma dimensão da vida, mas uma dimensão superior; algo que supera, que ultrapassa, a própria vida. Saramago cita-nos neste livro o grande artista que foi Paul Klee: “um quadro que tenha por tema um homem nu deve compor-se de maneira que seja respeitada não a anatomia do homem mas a do quadro”. Quer dizer: a arte justifica-se a si própria e a realidade será a tal imitação da arte a que já Oscar Wilde fazia referência. A pintura e a escrita de ficção afinal, descobre H./Saramago, têm tudo em comum; numa como noutra, a relação entre sujeito e objeto é comandada por uma interdependência permanente em que o enredo (quadro pintado ou romance escrito) altera a mente do artista e vice-versa. – A Minha Estante
Livro em bom estado, com manifestos sinais de uso na capa, contracapa e lombada. Miolo impecável.
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