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Obra relativamente rara e difícil de encontrar no mercado.
O livro Mutiladas e Proibidas: Para a história da censura literária em Portugal nos tempos do Estado Novo, escrito pelo investigador Cândido de Azevedo, é um ensaio histórico documental que expõe os bastidores, os critérios e o funcionamento do aparelho de censura de livros durante a ditadura militar e o regime do Estado Novo em Portugal.
O livro não é uma narrativa ficcional, mas sim uma investigação com base nos relatórios oficiais dos próprios censores e nos arquivos históricos da ditadura. Cândido de Azevedo desintegra a estrutura de fiscalização do regime para mostrar como a literatura e o pensamento livre foram reprimidos ao longo de quase meio século.
Detalha como as obras literárias eram avaliadas após a sua publicação. Ao contrário dos jornais, que passavam por censura prévia, os livros eram maioritariamente fiscalizados e apreendidos nas livrarias e tipografias pela polícia política (PIDE) logo após saírem formalmente da gráfica.
- Demonstra que os livros eram habitualmente proibidos, "mutilados" (cortados) ou retidos com base em três justificações principais:
- Ideológica/Política: Qualquer obra que promovesse o comunismo, o socialismo, o republicanismo ou fizesse críticas diretas a Oliveira Salazar e ao regime corporativista;
- Moral e Religiosa: Livros considerados imorais, pornográficos ou que atentassem contra os "bons costumes" e a doutrina da Igreja Católica (especialmente romances com temáticas de teor sexual ou emancipação feminina);
- Social/Ultramarina: Textos que criticassem a guerra colonial ou a opressão social em Portugal e nas antigas colónias.
- Os Relatórios dos Censores: A obra reproduz e analisa os pareceres dos censores. O autor evidencia o absurdo intelectual e a tacanhez cultural de muitas destas decisões, as quais justificavam a proibição de grandes clássicos nacionais e internacionais com argumentos muitas vezes pueris e contraditórios.
- A Resistência Cultural: Descreve os truques e artimanhas utilizados por autores, editores e livreiros para contornar a vigilância, como o uso de pseudónimos, metáforas complexas e redes clandestinas de distribuição de livros proibidos.
Impacto e Relevância.
O título Mutiladas e Proibidas faz referência direta ao destino das obras literárias: ou sofriam cortes cirúrgicos de páginas e parágrafos inteiros para poderem ser toleradas no mercado, ou eram sumariamente proibidas e destruídas. O ensaio é uma das referências mais importantes para compreender a dimensão do apagão cultural sofrido por Portugal no século XX.
Para quem tem interesse na História de Portugal contemporânea, em sociologia política ou no percurso da literatura portuguesa, a opinião geral é de que este é um livro de leitura obrigatória. Ele não se limita a lamentar a censura; prova-a metodicamente através dos próprios arquivos do Estado Novo.
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