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O Conquistador é, sem reservas, um livro divertido, original, surpreendente e sobre si mesmo fechado como um teorema explosivo, melancólico e eufórico ao mesmo tempo.
A subtil alternância de ritmos, o jogo entre a ironia e a seriedade dão uma densidade ao texto que transfigura em fábula e mito o que podia não ser mais do que trouvaille.
Afinal, entre o D. Sebastião liberto (e libertino) e o amoroso, é o último que sobe aos céus. - (Eduardo Lourenço).
A história acompanha a vida de Sebastião de Castro, o protagonista. Segundo uma lenda contada pela sua avó, ele não nasceu de forma convencional, mas sim dentro de um ovo gigante numa praia durante uma violenta tempestade, tendo sido recolhido e criado por um faroleiro. Esta origem insólita dita o tom surreal e picaresco de toda a narrativa.
À medida que cresce, a vida de Sebastião espelha e contraria a do rei D. Sebastião (desaparecido na Batalha de Alcácer-Quibir em 1578). No entanto, enquanto o monarca histórico era conhecido pela sua aversão às mulheres, o Sebastião de Almeida Faria é um libertino e sedutor incorrigível (um verdadeiro "conquistador" no sentido amoroso).
Aos 24 anos — a idade exata com que o rei D. Sebastião desapareceu em combate —, o protagonista decide também "encobrir-se". Ele isola-se voluntariamente numa ermida solitária, afastando-se do mundo real para confrontar os seus próprios fantasmas e criar a sua própria narrativa de vida.
O livro funciona como uma desmistificação da eterna esperança portuguesa num "salvador" que virá salvar a nação numa manhã de nevoeiro. Ao transformar o herói trágico num homem comum com uma vida amorosa caótica, Almeida Faria ridiculariza o complexo de messianismo do povo lusitano.
Livro brochado em bom estado, apresentando ligeiro amarelecimento
Portes Grátis para Portugal*
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