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«Munida de um firme bisturi analítico, Sara Calisto revela-se bem-sucedida no levantamento de interrogações que, ora seminais, ora desarmantes, revelam um processo de pensamento in statu nascendi, o que tinge esta reflexão de um amoralismo salutar, no modo como lança essas mesmas perplexidades ao leitor deste labor ensaístico. […] Levando a cabo uma problematização plural em torno do mito de Don Juan, a obra em pauta, colocando particular relevo na análise literária do romance A Mulher que venceu Don Juan, de Teresa Martins Marques, consubstancia uma investigação competente, explorando as grandes questões científicas que o tópico suscita, bem como uma assinalável capacidade de construção teórica, a partir de autores como Kierkegaard, Pierre Brunel, Georges Bataille e Jean Rousset. A presente obra socorre-se, ainda, de uma metodologia científica de permanente diálogo com os principais debates ao nível sócio-cultural e literário-filosófico, evidenciando, com assertividade e acutilância, uma tese bem precisa e irmanando-se, com insofismável propriedade, à ideia perfilhada por Edgardo Dobry que, no seu opus Magnum Historia Universal de Don Juan. Creación y Vigencia de un Mito Moderno (2017), se reporta a um mito sem sossego, aludindo não só à figura do insaciável burlador, mas à interminável exegese que sobre o mito se foi produzindo ao longo dos tempos».