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«Quase quarenta anos depois, este romance tão artificial criou uma nova palavra internacional ("lolita"), inventou uma América — a dos motéis e autoestradas — de que se nutre ainda boa parte da narrativa americana contemporânea, é uma das obras com o inglês mais rico e preciso da literatura deste século e, ao contrário das acusações iniciais de pornografia que teve de sofrer, é talvez — e no que me diz respeito — o romance mais melancólico, elegante e lírico de quantos li.» [Javier Marías in Literatura e Fantasma]
Decidi também deixar o comentário que o senhor Rui deixou na WOOK: "UMA OBRA BELA E PERTURBADORA
Lolita. Uma obra que pode ter tanto de perturbadora como de bela. Nabokov presenteia-nos com um banquete narrativo, repleto daqueles ingredientes que tornam a leitura um prazer sublime: uma narrativa envolvente, poética, apaixonante, que nos enreda e desenreda, ao sabor do palpitante coração de Humbert Humbert, pseudónimo do protagonista e narrador do livro. O elefante na sala: é a história de um pedófilo e da sua adorada “ninfeta”. Sim, é. Se concordo ou aprovo o comportamento pedófilo? Obviamente que não. Mas não deixo de admirar a história, de forma tão sublimemente bem contada, independentemente de aprovar ou não a conduta do protagonista. Percebo o problema moral de alguns leitores. Pessoalmente não tive esse problema e não acho que haja razões para que este enredo seja um impedimento à leitura do livro (ler não é crime, ou imoral, não sinónimo de aprovação nem sequer de desculpabilização das práticas ali contidas). Quem o fizer, está obviamente no seu direito, mas estará a privar-se da possibilidade de apreciar a beleza da narrativa deste brilhante romance de Nabokov. Nunca me senti não inebriado e hipnotizado pelo talento narrativo de um autor, que criou um narrador (e protagonista) extremamente sedutor, não só para com Lolita, mas também para com o leitor, tentando convencer-nos da sua inocência, que a sua relação com Lolita era uma inevitabilidade e, até, que afinal era ele o caçado e não o caçador. Nem todos os livros têm de ter uma mensagem moralizadora. A arte pode ser simplesmente apreciada, sem mais. E Lolita é uma bela obra de arte, definitivamente. É assim que a vejo."