Sê o primeiro a adicionar este livro aos favoritos!
A TERRA NÃO DÁ PÃO, SENHORA MÃE! *** Ribeiro Maçarico *** Lisboa: Prelo, 1975. Colecção: AP. (19 x 12,5 cm.) com 319 + [1] pp. Capa flexível. Exemplar razoável. Capa com marcas de manuseamento, algumas manchas, vincos discretos, pequenas perdas de cor em alguns pontos e um pouco gasta nas margens e na lombada, mas, de um modo geral, ainda em boas condições. Páginas bem conservadas e limpas, embora apresentem um tom ligeiramente amarelecido, próprio do papel e da passagem do tempo. *** Primeira edição deste romance de Ribeiro Maçarico, escritor natural de Praia de Mira, que mereceu a Pierre Hourcade, a seguinte crítica, publicada na revista Colóquio Letras (N.º 37, de Maio de 1977): «Nunca o Neo-Realismo português, nem mesmo no período mais militante, cultivou a literatura de tese com tanto didactismo e tanta ingenuidade. Em nota impressa no reverso da capa, assegura o A. que «está subjacente a ideia de que o desenvolvimento do cooperativismo», etc. Mas «subjacente» é favor. A ideia em questão, na linha do apostolado de António Sérgio, em si mesma interessante e digna de respeito, derrama-se à superfície da obra (arbitrariamente classificada de romance), desdobrando-se em arengas, discussões, comentários em que por completo se dilui o interesse propriamente romanesco. Ocorre perguntar porque terá o A. sentido a necessidade de intercalar entre estes trechos que revelam de modo bem claro o seu projecto inicial, episódios de ficção, em regra sem qualquer relação directa com a tese, e que tomam o aspecto de ilustrações marginais ou entretenimentos para distracção do leitor. Facto tanto mais de lamentar quanto é certo não faltar a Ribeiro Maçarico poder de evocação e terem algumas das suas personagens, como o «visionário» Samuel ou Ti Januário, vigor e relevo bastantes para prender a atenção (embora a conversão final do Ti Januário, efeito indirecto da sova que lhe deram por motivos não relacionados com o projecto de reforma agrária, seja demasiado brusca e edificante para se afigurar verosímil). O protagonista, Heitor, esse é que, infelizmente, não ostenta qualquer vida própria: não passa do porta-voz – terrivelmente tagarela – das intenções do Autor. Em suma, se Maçarico quiser persistir na via do romance (e não lhe faltam recursos para tal) terá que se decidir a escolher entre a propaganda doutrinária e o respeito por exigências inerentes à realização literária. E, decididamente, por muito pouco gidianos que sejamos, é-nos forçoso reconhecer que o autor dos Faux Monnayeurs enunciou uma verdade cruel quando escreveu que «não se faz literatura com bons sentimentos». Nem talvez, igualmente, com maus sentimentos... mas essa é outra história, que nada tem que ver com o «romance» de Ribeiro Maçarico.» Capa de Dorindo Carvalho. *** Portes: envio gratuito em correio normal (tarifa especial para livros) * envio em correio registado: 1,70