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Cinco meninos que nunca foram crianças: um romance que resistiu à censura e continua a ferir a consciência de quem o lê.
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A cada livro, uma segunda vida.
VENDO
Preço: 11,00€ (com portes editoriais). Pagamento: mbway, spin, iban; plataforma.
Estado: excelente - ainda por ler e quase como novo.
Soeiro Pereira Gomes
Esteiros
RBA, Narrativa Atual
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ESTEIROS, de Soeiro Pereira Gomes
Esteiros é a obra-prima de Soeiro Pereira Gomes e uma das pedras angulares do neorrealismo português. Publicado em 1941, quando o autor trabalhava num escritório em Alhandra e observava da janela a labuta das crianças nos telhais do Tejo, o romance deu voz a Gineto, Gaitinhas, Guedelhas, Maquineta e Saguí — «os filhos dos homens que nunca foram meninos», como reza a dedicatória que abre o livro. A crítica contemporânea reconheceu de imediato a força de uma narrativa que, sem abdicar da simplicidade da frase, ergue um retrato implacável da miséria ribeirinha e da estratificação social que a sustentava. Urbano Tavares Rodrigues sublinhou a «força poética» de um romance que expõe o «mundo da miséria e de injustiça» sem nunca perder a frescura das personagens.
No conjunto da obra de Soeiro Pereira Gomes — breve, interrompida pela morte precoce aos 40 anos —, Esteiros é o texto inaugural e o mais conseguido. O autor escreveria ainda Engrenagem, publicado postumamente, mas é em Esteiros que a sua voz se afirma com plenitude, combinando o ímpeto denunciatório com uma sensibilidade rara para a infância. À época, o romance escapou à censura inicial por razões que a historiadora Maria João Robalo atribui à incapacidade de alguns censores de lerem a crítica implícita ao regime. Só em 1966, na 5.ª edição, um leitor dos Serviços de Censura notaria o «realce da injustiça» e concluiria que o livro «deveria ter sido proibido quando apareceu» — tarde demais, acrescentava, pois a proibição só serviria à sua propaganda.
Na atualidade, Esteiros conserva uma dupla vitalidade. Por um lado, permanece um documento histórico insubstituível do Portugal de Salazar, da economia sazonal dos telhais e da infância sacrificada ao trabalho. Por outro lado, a sua reedição em 2021 pela Quetzal — oitenta anos após a primeira edição — demonstrou que o romance não perdeu capacidade de interpelar leitores contemporâneos, finalizando inclusive com o Prémio Livro do Ano Bertrand 2021. Como escreveu Vasco Pulido Valente, estas crianças «nunca pedem dó e nunca fazem dó» — e é precisamente essa dignidade irrepreensível que confere à obra a sua perenidade.
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