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O Rei dos Álamos
Michel Tournier
Clássicos Contemporâneos
Editorial Planeta
Preço: 9,00€ + portes. Oferta válida até 30Set2026. Pagamento: plataforma, mbway, spin, iban.
Esta obra-prima de Michel Tournier - Le Roi des Aulnes, aqui traduzido por O Rei dos Álamos -, publicada em 1970, transporta-nos para o coração da Alemanha nazi através do olhar de Abel Tiffauges, um mecânico francês obcecado por uma força obscura e ancestral que sente protegê-lo desde a infância — sobrevive a incêndios, a acusações injustas, à própria guerra. Detido pelos alemães e enviado para um campo de concentração na fronteira polaco-russa, Tiffauges converte essa obsessão numa vocação sinistra: recrutar crianças para uma escola do Reich, convencido de que as está a proteger, quando na verdade as conduz à destruição. O romance apropria-se da lenda germânica do Erlkönig (o "rei dos álamos" ou "rei dos vidoeiros", figura de Goethe que arrebata as crianças para a morte) para construir uma alegoria sobre o nazismo, evidenciando a pedofilia simbólica do poder e a cegueira do mito quando posto ao serviço da barbárie.
A figura de Tiffauges é deliberadamente ambivalente: encarna o ogro mitológico que rapta crianças, mas é também, em simultâneo, um salvador de crianças, que acredita ter uma missão sagrada. Esta dualidade é o motor do romance, que se configura como uma profunda reflexão sobre o mal, a inocência e a responsabilidade.
Michel Tournier é uma das vozes mais singulares da literatura francesa do século XX. O Rei dos Álamos, o seu segundo romance, foi distinguido com o Prémio Goncourt em 1970, o mais prestigiado prémio literário francês, consosolidando a sua posição no panorama literário europeu, ao lado de Yourcenar e Le Clézio, pela fusão entre erudição mítica, densidade filosófica e uma prosa de grande precisão clássica.
A atualidade do romance reside na sua perturbadora capacidade de nos confrontar com a forma como o mal pode ser racionalizado e vestido de virtude, uma questão que continua a ecoar nos dias de hoje. Tal como Tiffauges se convence da sua "missão" num contexto de barbárie, a obra convida-nos a refletir sobre a fragilidade da moral humana.
A obra permanece incontornável como reflexão sobre como ideologias totalitárias sequestram símbolos ancestrais e a inocência infantil ao serviço da destruição — assunto que a nossa época, atravessada por novos fundamentalismos, não deixou de tornar urgente.
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