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A epopeia alcoólica do aventureiro Jean Galmot que fez do mundo a sua sala de escrita — uma obra-prima esquecida que celebra a liberdade individual.
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A cada livro, uma segunda vida.
VENDO
5,00€, com portes editoriais incluídos. Pagamento: mbway, spin, iban; plataforma.
Estado: excelente - amarelecido pelo tempo, mas com reduzido manuseio e ainda praticamente como novo; estado de conservação muito bom para a idade, com lombada firme, miolo por folhear e interior sem anotações.
Blaise Cendrars
Rum
Eduardo Valente da Fonseca (trad.)
Livros Unibolso
Editores Associados
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RUM, de Blaise Cendrars
Rum (título original Rhum — L'aventure de Jean Galmot, 1930) é, antes de mais, um livro impossível de arrumar numa prateleira só. Blaise Cendrars — poeta, romancista, repórter, aventureiro e um dos nomes maiores da vanguarda europeia do século XX — constrói aqui uma biografia romanceada de Jean Galmot, o lendário aventureiro francês que se fez rei da Guiana, comerciante de rum, garimpeiro de ouro, jornalista e, por fim, mártir político. O resultado é uma prosa alucinada, sensorial e vertiginosa, onde o álcool, o calor tropical, a cobiça, a miséria e a revolta social se misturam num ritmo que parece escrito a bordo de um navio em plena tempestade.
Cendrars não se limita a contar uma vida: ele encarna o biografado. A escrita é embriagada, fragmentária, quase cinematográfica — influência direta das vanguardas e da sua própria experiência como homem que perdeu um braço na Primeira Guerra Mundial e que viajou pela América do Sul, pela China e pela África. O autor transforma Galmont num herói trágico, num sonhador devorado pelo próprio sonho, e ao mesmo tempo denuncia a exploração colonial, a corrupção e a hipocrisia da França civilizada que explorava as suas colónias. Há páginas de uma beleza brutal, outras de uma violência quase insuportável, mas todas atravessadas por uma vitalidade literária rara.
O livro é, assim, também, um documento sobre a arte de Cendrars. Publicado em 1930, Rum surge pouco depois de algumas obras fundamentais do autor como O Ouro (1925) ou Moravagine (1926). Nesse percurso, representa o momento em que o autor aprofunda a sua “escrita-reportagem”, misturando biografia, ficção, história e lirismo — uma marca que o tornaria precursor de muito do que hoje se chama non-fiction novel ou literatura de viagem híbrida. Na época, foi recebido com entusiasmo por crítica e público, consolidando Cendrars como um dos grandes contadores de histórias do seu tempo. Hoje, continua a ser uma obra de culto, estudada em universidades e admirada por quem procura uma literatura que não se conforma com géneros nem com convenções.
Trata-se de uma edição já com décadas, o que lhe confere um valor acrescido para colecionadores: o papel amarelado, a capa com sinais de manuseamento e a própria raridade no mercado português fazem desta uma peça apetecível. Rum não é apenas um livro: é uma porta de entrada para um dos autores mais eletrizantes do século XX.
Rum narra a vida de Jean Galmot, desde a sua chegada à Guiana Francesa até à sua eleição como deputado e à sua morte misteriosa em 1928, passando pela exploração do ouro, pelo comércio de rum, pela fundação de jornais e pela sua relação turbulenta com os poderes coloniais. Cendrars escreve na primeira pessoa, como se fosse o próprio Galmont, criando um efeito de imersão total.
Esta é uma das obras centrais da maturidade de Cendrars, onde a sua técnica de “romance-verdade” atinge o auge. Mostra a passagem do poeta vanguardista para o prosador da aventura humana, sem perder a energia experimental.
Publicada num período de crise económica e de questionamento do colonialismo, ao tempo a obra foi lida como uma denúncia e como um retrato épico de um homem fora do comum e consagrou Cendrars como mestre da narrativa biográfica.
Atualmente Rum continua a ser uma leitura essencial para quem se interessa por literatura de viagem, pós-colonialismo, biografia romanceada e pela obra de Cendrars em si mesma. A sua prosa híbrida antecipa muitos géneros contemporâneos e mantém intacta a sua força de embriaguez e de denúncia.