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Robert Enke parecia ter encontrado o seu lugar ao sol. Num grande clube e à baliza da seleção alemã - aos 32 anos era, finalmente, uma estrela. No dia 10 de novembro de 2009 disse adeus à sua mulher e deu um beijo à filha adotiva de 10 meses. Saiu de casa, conduziu sem rumo durante oito horas, até estacionar junto a uma linha férrea. E atirou-se para debaixo de um comboio.
O suicídio foi notícia em todo o mundo. Os alemães esqueceram as rivalidades clubísticas e juntaram-se aos milhares no funeral. As ondas de choque chegaram a Portugal, ondeRobert Enke tinha vivido alguns dos anos mais felizes da sua vida. Mesmo por cá, a sua popularidade tinha há muito transcendido as cores do Benfica. Ele era "O Enke", um rapaz educado de sorriso tímido, que se tinha matado sem ninguém perceber porquê.
A premiada biografia Uma Vida Curta Demais revela-nos o mistério dessa morte. É uma notável reconstituição de uma vida onde a depressão foi sempre escondida, onde os ataques de pânico eram combatidos jogo a jogo. É uma história de infortúnios, jogadas sujas de bastidores, onde vemos desfilar os participantes involuntários no drama, de José Mourinho a Vale e Azevedo, de Louis Van Gaal a Jupp Heynkes.
Mas é acima de tudo a história de um alguém que todas as semanas, em estádios com milhares de espetadores, se sentia o homem mais solitário do mundo - e que durante cada jogo tentava apenas não pensar na angústia que o dominava, na vida de segredos, na filha que em tempos perdera...