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Do ativismo, como não raro de eventos culturais, só tende a ficar uma vaga memória coletiva ou, pior, uma frase numa cronologia. Lembramo-nos dos anos, das causas e das grandes conquistas, quando as há, mas não do cartaz que desenhaste ou das reuniões noite dentro. A não ser, claro, na história oral das pessoas envolvidas. Quantas feiras de livros e exposições e ciclos de cinema e conversas e grupos mais ou menos informais se vão fazendo e desfazendo ao longo dos anos, como uma linha descontínua da energia que cada pessoa a cada momento conseguiu dar? É que, como sublinhas aqui, a história do movimento é a história de quem faz o movimento. E a história é lenta.
Quando voltas a Vilnius para apresentar o Propaganda, na sua versão original em inglês pela Plana Press, fazem-te uma entrevista para o site da LGL. Perguntam-te sobre literatura portuguesa e ativismo LGBTQ. Entre outras coisas, respondes que «this is the first comic book that is more specific on the subject to be published in Portugal». Uma década depois, isto ainda é verdade.”
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