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Porto, junho de 1975. No auge do Verão Quente da revolução, Portugal arrisca cair na órbita soviética e tornar-se numa ditadura comunista. Sucedem-se as prisões de políticos de direita, de empresários e de centenas de pessoas suspeitas de resistência ao processo revolucionário.
Ruy Höfle Moreira, então dono da Molaflex, está detido há três meses, acusado de atividades contra-revolucionárias. Trata-se de meras suposições, das quais nunca haverá uma acusação oficial ao longo do período de detenção, que durará oito meses.
Em pleno PREC, mais de mil trabalhadores da Molaflex manifestam-se pacificamente em frente ao Quartel-General. Não querem causar tumultos nem estão contra o 25 de Abril; apenas pedem que os militares lhes expliquem a situação do patrão. São atacados e agredidos por militantes revolucionários, que os acusam de serem fascistas; vários trabalhadores são detidos pelos militares.
Esta foi, no Portugal democrático, em pleno PREC, a primeira manifestação pública em prol de um patrão e abalou a opinião pública.