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«Chamaram-lhe, alguns, a obra-prima do autor. E num prefácio que andou durante muito tempo colado ao seu Arranca-Corações, Raymond Quencau não hesitava perante um rótulo hierarquizante c audacioso: " mais pungente dos romances de amor contempora-neos". Nos anos sessenta, A Espuma dos Dias circulou com estas difíceis responsabilidades. Enfrentou-as mostrando a singularidade de um universo ainda não conhecido com tanto talento na literatura; que se comprazia a impor aos homens e aos objectos leis novas, interdependentes. De facto, os objectos que lá existiam tinham um comportamento emotivo e implacavelmente ligado aos estados de alma de quem os utilizava. O que já antes parecia sugerido por Edgar Allan Poc em 1 Queda da Casa Usher assumia ali uma evidência despudorada que corria em dois sentidos, de sol e sombra, e nos informava muito mais sobre o interior das personagens do que qualquer alusão directa que o texto chegasse a fazer.» [Da Apresentação de Aníbal Fernandes