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Do prefácio do autor:«[…]Tendo-me guiado mais por razões de excelência poética do que pelas sempre maçadoras escavações filológicas,tentei, no entanto, que estes 65 sonetos coubessem dentrodo denominado «cânone mínimo». […]
Nalguns passos terei traído miseravelmente o grande Camões, mas a língua cabo-verdiana terá ganho um incontornável monumento literário, fecundo solo onde amanhãpoderão enraizar-se os poetas cultos e eruditos, e todosaqueles que apostam num porvir de poética resplandecência para a nossa sagrada e maltratada língua materna, porvezes rebaixada por alguns nostálgicos filhos dos sobradosque soçobraram (ainda que em pose professoral, ou detardios, rasos escribas, alcandorados aos pináculos de patuscas academias, em perseguição da glória no céu chão daliteratura), quando não mesmo funestos peões, padecentesde mal disfarçada síndrome de orfandade identitária, ou dederrotadas visões luso-tropicalistas, ou ainda de caducos ereincidentes propósitos adjacentistas.
Sirva este trabalho (ambicioso enquanto ideia, se não peloresultado) como pretexto de um fito bem maior: a constru-ção duma comunidade de povos, línguas e culturas, ao abrigo de tentações hegemónicas, tutelares ou neo-imperiais,ainda que urdidas sob os véus da «políticada língua»