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Arthur Schnitzler, médico e escritor vienense que Freud reconhecia como seu duplo literário, assina com Morrer uma das mais penetrantes narrativas sobre o amor confrontado com a finitude. A novela coloca questões perturbantes: perante a iminência da morte, que distorções pode sofrer o amor, e até onde pode ele sobreviver? O último suspiro do amante determinará a extinção do sentimento na mulher que o ama?
Felix, o protagonista, vive a tortura destas interrogações nos meses de vida que lhe restam, contemplando o apogeu da beleza e da juventude de Marie, que permanecerá viva quando ele tiver desaparecido. A narrativa acompanha a degradação progressiva não apenas do corpo mas da própria relação amorosa, revelando com uma lucidez clínica — a do médico que Schnitzler também era — como a proximidade da morte altera irreversivelmente as dinâmicas afectivas. Morrer é simultaneamente uma história de amor e de morte: da morte do amante, da morte do amor, e da profunda solidão do ser humano perante o derradeiro instante da existência.
Obra-prima da novela vienense de fim de século, Morrer interessa a leitores de grande literatura europeia, a apreciadores de Schnitzler e da tradição literária austríaca, e a todos quantos valorizem a ficção que interroga sem concessões os limites do sentimento humano. Um texto breve mas de uma intensidade inesquecível.
Edições 70, 1988.
Caligrafias - 3.
Direcção de Eduardo Prado Coelho.
Tradução de Ana Maria Reltoff.
Capa mole, 103 páginas.
"Morrer", por Arthur Schnitzler.