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O PECADO DE JOÃO AGONIA –
Bernardo Santareno
Edições ÁTICA
2ª Edição
Ano – 1969
Páginas: 170
Dimensões: 195x180 mm.
Peso: 284
TX-A026-G315-1.04PR
Exemplar em bom estado.
PREÇO: 13.00€
Acresce portes – Correio Editorial
O Pecado de João Agonia ganha mesmo outra dimensão quando se olha para as personagens e para o lugar da peça na obra de Bernardo Santareno.
PERSONAGENS PRINCIPAIS (ANÁLISE)
João Agonia
É o centro trágico da peça.
Representa o indivíduo diferente numa sociedade fechada
A sua identidade (implícita homossexualidade) é vista como “pecado”
Vive um conflito profundo entre:
o que é
o que a sociedade exige que seja
Não é um rebelde ativo — é antes uma figura oprimida e sacrificada, o que o aproxima das personagens da tragédia clássica.
A família (especialmente a mãe)
A família não é refúgio — é instrumento de repressão.
Procura preservar a “honra”
Interioriza os valores religiosos e sociais
Age como prolongamento da comunidade
A mãe, em particular, encarna a tensão entre:
amor materno
submissão à moral dominante
A comunidade (quase uma personagem coletiva)
Um dos aspetos mais fortes da peça.
Funciona como um “coro trágico” moderno
Vigia, julga e condena
Representa:
tradição
religião
medo do diferente
Não há anonimato — todos controlam todos.
ESTRUTURA TRÁGICA
A peça tem claras afinidades com a tragédia clássica:
Destino inevitável→ João não consegue escapar
Culpa imposta→ o “pecado” é socialmente construído
Sacrifício final→ necessário para restaurar a ordem
A comunidade precisa da destruição de João para se reafirmar.
A peça no conjunto da obra de Santareno
Bernardo Santareno teve duas fases principais:
Fase inicial (mais simbólica e psicológica)
Interesse por conflitos interiores
Influência existencialista
Fase de intervenção social (onde entra esta peça)
Crítica direta ao regime e à sociedade
Temas polémicos:
sexualidade
repressão
hipocrisia moral
O Pecado de João Agonia marca a transição para esta fase mais combativa.
LEITURAS POSSÍVEIS (MAIS PROFUNDAS)
Leitura psicológica
João vive um conflito interno violento
A culpa não é natural — é imposta pela sociedade
2. Leitura religiosa
O conceito de “pecado” é central
Questiona-se:
quem define o pecado?
até que ponto a religião legitima a violência?
3. Leitura política
A aldeia = metáfora de Portugal no Estado Novo
Vigilância social → semelhante à repressão política
Uniformização → rejeição do diferente
4. LEITURA UNIVERSAL
Exclusão social
Intolerância
Sacrifício do indivíduo pelo coletivo
Por isso a peça continua atual.
Ideia-chave para guardar
A verdadeira força da obra está aqui:
João não é destruído por aquilo que é —
mas pela incapacidade da sociedade de aceitar o que ele é.