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OS CONQUISTADORES –
André Malraux
Edição: Livros do Brasil, Lisboa
Páginas:217
Dimensões: 220x150mm
Peso: 319
TX-A026-G350-1.14PR
Exemplar usado, em bom estado sem rasgos, tem uma dedicatória.
PREÇO :6.00€
Acresce portes – Correio Editorial
Os Conquistadores (Les Conquérants), publicado originalmente em 1928 por André Malraux, é um dos marcos do romance político e existencial do século XX. A edição da prestigiada chancela Livros do Brasil (Lisboa) traz para a língua portuguesa esta obra intensa, marcada pelo ritmo jornalístico, pela urgência da revolução e por profundas reflexões sobre a condição humana, o absurdo e a ação.
Resumo alargado e estruturado da obra, cobrindo o seu contexto, enredo, personagens principais e temas centrais.
Contexto Histórico e Cenário
A ação decorre em Cantão (Guangzhou), na China, durante o verão de 1925. O pano de fundo é a vaga de greves e o boicote económico contra o imperialismo britânico (especialmente a partir de Hong Kong), organizados pelo Kuomintang (Partido Nacionalista Chinês) em aliança temporária com os comunistas locais e sob a forte influência de conselheiros enviados pela União Soviética.
Malraux recria uma atmosfera sufocante, tanto pelo clima tropical como pela iminência da violência e da transformação geopolítica.
Estrutura e Enredo
O romance adota a perspetiva de um narrador anónimo, um jovem francês que viaja em direção a Cantão para se juntar à causa revolucionária. A narrativa divide-se essencialmente em três grandes blocos de tensão crescente:
1. A Aproximação e a Tensão (A Viagem)
O livro abre com o narrador a bordo de um navio, lendo telegramas e relatórios sobre o bloqueio de Cantão. O império britânico está paralisado pelo boicote económico. Sente-se a eletricidade no ar. O narrador funciona como os olhos do leitor, introduzindo-nos gradualmente na complexa teia política antes mesmo de pisar terra firme.
2. A Máquina Revolucionária em Cantão
Ao chegar, o narrador integra-se no aparelho de propaganda da revolução. É aqui que conhecemos a figura central da obra: Garine, o chefe do serviço de propaganda do Kuomintang. Através do trabalho diário, o narrador testemunha a luta implacável pelo poder. Não se trata apenas de combater os ingleses ou os generais reacionários chineses, mas também de gerir as fraturas internas entre a burguesia liberal chinesa, os operários radicais e os estrategas soviéticos.
3. O Confronto, o Terror e a Doença
A tensão atinge o ponto de rutura com o assassinato de Klein, um revolucionário idealista, cujo corpo é barbaramente mutilado. A resposta da máquina revolucionária é fria e pragmática. No clímax do romance, o terrorismo político e a repressão militar fundem-se. Ao mesmo tempo, a saúde de Garine colapsa devido à malária e à disenteria. A sua luta biológica contra a morte corre em paralelo com a sua luta feroz para manter o controlo da revolução antes que os emissários de Moscovo (como Borodine) tomem as rédeas por completo.
As Personagens Principais: Tipos de "Conquistadores"
O título da obra é irónico. Os "conquistadores" de Malraux não procuram ouro ou impérios territoriais, mas sim dominar o destino através da ação pura. Distinguem-se claramente pela sua filosofia individual:
- Garine (Pierre Garine): O verdadeiro protagonista. Um suíço-russo anarquista por temperamento, que rejeita tanto o capitalismo ocidental como o dogmatismo doutrinário de Moscovo. Para Garine, a revolução não é um ato de amor pelo proletariado, mas sim a única forma digna de combater o absurdo da vida. Ele é um homem de ação absoluto, lúcido e individualista, que vê no poder um meio de afirmação pessoal contra o nada.
- Borodine: O quadro comunista enviado por Moscovo. Ao contrário de Garine, Borodine é o homem do partido, o burocrata pragmático e impessoal. Não lhe interessam os dilemas existenciais; interessa-lhe a eficácia biológica da máquina partidária e a subordinação de Cantão às ordens da Internacional Comunista.
- Hong: Um jovem terrorista chinês de extração miserável. Hong representa o ódio puro e niilista contra a opressão. Para ele, a revolução serve para matar os ricos e os opressores hoje, recusando qualquer promessa de um futuro melhor se isso implicar compromissos no presente. O seu radicalismo torna-o incontrolável tanto para Garine como para Borodine.
- Tcheng-Dai: Um líder espiritual e político chinês, de pendor pacifista (inspirado em figuras como Gandhi). Representa a velha China moral, que tenta travar a barbárie através do exemplo ético, mas que acaba esmagada pela engrenagem implacável da nova política de massas.
Temas Centrais
- A Ação como Antídoto para o Absurdo: Na linha do existencialismo, Malraux explora a ideia de que a vida humana não tem um sentido intrínseco. Garine sabe que vai morrer e que a história é caótica, mas escolhe agir para criar o seu próprio sentido.
- O Indivíduo vs. O Coletivo: O cerne dramático do livro reside no choque entre o individualismo trágico de Garine e a necessidade de disciplina coletiva esmagadora exigida pela revolução comunista moderna. Garine vence a batalha militar e política, mas percebe que a máquina que ajudou a criar já não tem espaço para homens como ele.
- A Solidão Humana: Apesar do ruído das massas, das greves e dos discursos, as personagens movem-se numa solidão profunda. A doença final de Garine sublinha o isolamento inevitável do homem face ao seu próprio destino.
"Os Conquistadores" é, em última análise, um romance de transição histórica e filosófica. Capta o momento exato em que o idealismo romântico do século XIX morre, dando lugar à geopolítica fria, à propaganda de massas e à eficácia militar que definiriam o resto do século XX.