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OS DIVORCIADOS E A IGREJA –
Michel Legrain
Círculo de Leitores
Páginas: 229
Dimensões:200x125 mm
Encadernação: Capa dura
Peso: 304
TX-334-026-1.09E
IS 1543325890
Exemplar como novo
PREÇO: 7.00€
Acresce portes – Correio Editorial
A obra Os divorciados e a Igreja de Michel Legrain insere-se no debate pastoral e teológico que atravessou a Igreja Católica no pós-Concílio Vaticano II, sobretudo nas décadas de 1970-90.
PRINCIPAIS ARGUMENTOS DE LEGRAIN
1. Distinção entre fracasso conjugal e culpa moral automática
Legrain defende que o divórcio não deve ser analisado apenas em termos jurídicos (quebra da indissolubilidade), mas também à luz das circunstâncias humanas concretas. Questiona a tendência para identificar automaticamente divórcio com pecado grave permanente.
2. Centralidade da consciência pessoal
Influenciado pela renovação teológica pós-conciliar, valoriza o papel da consciência cristã. Sugere que cada situação deve ser discernida pastoralmente, evitando soluções puramente disciplinares e uniformes.
3. Crítica à exclusão sacramental automática
Um dos pontos mais sensíveis: a exclusão dos divorciados recasados da Eucaristia. Legrain não nega a doutrina da indissolubilidade do matrimónio, mas questiona se a prática pastoral deveria ser menos rígida e mais orientada pelo acompanhamento.
4. Igreja como comunidade de acolhimento
Defende que a Igreja deve agir mais como “mãe” do que como tribunal. O afastamento total dos divorciados recasados da vida comunitária é visto como contraproducente do ponto de vista evangélico.
RECEÇÃO E ENQUADRAMENTO
A obra surgiu numa época em que o magistério oficial — por exemplo, com João Paulo II — reafirmava firmemente a disciplina tradicional, nomeadamente na exortação apostólica Familiaris Consortio (1981), que excluía da comunhão os divorciados recasados enquanto permanecessem nessa situação.
Por isso, o livro foi visto como:
Progressista por setores mais conservadores, por propor maior flexibilidade pastoral.
Corajoso e necessário por teólogos e agentes pastorais que sentiam a urgência de respostas mais humanas às situações familiares complexas.
Décadas mais tarde, o debate ganhou novo fôlego com Papa Francisco e a exortação Amoris Laetitia (2016), que abriu a porta a um discernimento caso a caso — algo que já estava, de certo modo, na linha das preocupações de Legrain.
IMPORTÂNCIA DA OBRA
Embora não seja um livro “clássico” amplamente citado na teologia académica internacional, tem relevância no contexto pastoral:
Antecipou debates que só décadas depois seriam oficialmente reabertos.
Contribuiu para a reflexão sobre misericórdia, disciplina sacramental e acompanhamento.
É um testemunho do clima teológico do pós-Concílio Vaticano II.
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